Pet Viajante
Dicionário

Dicionário do transporte de Pets: 50 termos explicados

O transporte internacional de Pets tem vocabulário próprio: siglas, documentos, órgãos e processos que confundem quem está começando a planejar. Este dicionário reúne os 50 termos mais importantes, explicados de forma direta, com base na experiência de mais de 15.000 embarques da Pet Viajante.

Ordem alfabética. Clique no termo para ir direto ou percorra a lista completa. Cada verbete é curto de propósito: se precisar de mais detalhes sobre um tema, os links ao final levam aos guias específicos.

AHC (Animal Health Certificate)

Certificado de saúde animal exigido por alguns países, especialmente do Reino Unido pós-Brexit. Diferente do CVI brasileiro, tem formato e campos próprios definidos pelo país de destino. Deve ser emitido por veterinário oficial e, em muitos casos, endossado pelo MAPA.

Anticorpos (titulação)

Medida da resposta imunológica do Pet à vacina antirrábica. O exame de sorologia verifica se o nível de anticorpos atinge o mínimo exigido (geralmente 0,5 UI/ml). Se o resultado for insuficiente, é preciso revacinar e repetir o exame, o que pode atrasar o embarque em meses.

ANVISA

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No transporte de Pets, a ANVISA não é o órgão principal (esse papel é do MAPA), mas pode atuar em controles sanitários nos portos e aeroportos brasileiros, especialmente em relação a produtos de origem animal que acompanham o tutor.

Bagagem viva

Modalidade de transporte em que o Pet viaja no porão do mesmo voo do tutor, como bagagem despachada com tratamento especial. A caixa é manuseada separadamente das malas comuns e segue para compartimento pressurizado e climatizado. Nem toda companhia oferece essa modalidade.

Braquicefálico

Raça de focinho curto: pug, buldogue francês e inglês, shih tzu, boxer, boston terrier, entre outros. Têm restrições em diversas companhias aéreas por dificuldade respiratória sob estresse. Exigem planejamento específico de rota, companhia e modalidade. Veja o guia completo de braquicefálicos.

Cabine

Modalidade em que o Pet viaja dentro da cabine de passageiros, em caixa de transporte sob o assento da frente. Limitada por peso (Pet + caixa, geralmente até 8-10 kg) e dimensões da caixa. É a opção mais segura para Pets pequenos e braquicefálicos.

Cargo

Modalidade em que o Pet viaja como carga aérea, em voo que pode ou não ser o mesmo do tutor. Usada para Pets de grande porte ou quando a rota não permite bagagem viva. O Pet é embarcado e desembarcado pelo terminal de cargas, com documentação adicional de exportação/importação.

CDC (Centers for Disease Control)

Agência de saúde pública dos Estados Unidos. Desde 2024, o CDC impôs regras mais rígidas para importação de cães nos EUA, incluindo formulário próprio (CDC Dog Import Form), exigência de microchip e, para cães provenientes de países de alto risco para raiva, sorologia e entrada apenas por aeroportos autorizados.

CDC Dog Import Form

Formulário eletrônico obrigatório para entrada de cães nos Estados Unidos. Deve ser preenchido online antes do embarque, com dados do animal, microchip, vacinas e país de procedência. Sem esse formulário, o cão pode ser impedido de entrar nos EUA.

Check-in de Pet

Processo presencial no balcão da companhia aérea em que o agente confere documentação original, pesa o Pet (com caixa para cabine, ou mede a caixa para porão), verifica microchip e registra o animal no sistema do voo. Não é possível fazer check-in de Pet online.

CITES

Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas. Aplica-se ao transporte de animais silvestres ou exóticos, não a cães e gatos domésticos. Se o seu Pet for uma espécie exótica regulada (como algumas aves ou répteis), a documentação CITES é obrigatória além do CVI.

Caixa IATA

Caixa de transporte que atende às especificações da IATA para viagem aérea: rígida, ventilada em pelo menos três lados, com prato de água fixo, fechamento por parafusos (não travas plásticas), forro absorvente e tamanho que permita ao Pet ficar em pé, girar e deitar. Veja o guia de caixas.

Conexão

Parada intermediária entre voos. Para Pets, a conexão precisa ser longa o suficiente para a transferência da caixa entre aeronaves (mínimo de 2 a 3 horas). Conexões curtas são um dos motivos mais comuns de problema no embarque. Rotas diretas são sempre preferíveis.

CVI (Certificado Veterinário Internacional)

Documento oficial emitido pelo MAPA que atesta a condição sanitária do Pet para viagem internacional. Tem validade limitada (geralmente 10 dias para embarque) e exige agendamento presencial em unidade do MAPA. É o documento mais importante de todo o processo. Veja o guia de documentação.

Desembaraço

Processo de liberação do Pet na chegada ao país de destino. Envolve conferência de documentação pela autoridade sanitária local, verificação de microchip e, em alguns países, inspeção clínica do animal. O tempo varia de minutos (EUA, Portugal) a horas (Japão, Austrália).

Documento de trânsito

Documento exigido quando o Pet faz conexão em um país intermediário antes de chegar ao destino final. Alguns países de trânsito exigem documentação própria mesmo que o Pet não saia do aeroporto. Comum em conexões pela União Europeia.

Endorsement

Validação oficial de documentos veterinários por órgão governamental. No Brasil, o MAPA endossa ao emitir o CVI. Nos EUA, é o USDA. Na UE, o processo envolve registro no TRACES. Sem endorsement, documentos emitidos por veterinário particular não têm validade para entrada no país de destino.

ESA (Emotional Support Animal)

Animal de suporte emocional. Diferente de cão de serviço (service dog), o ESA não tem treinamento específico e, desde 2021, a maioria das companhias aéreas americanas não aceita mais ESA na cabine com isenção de taxa. Não confundir com service dog, que tem direitos distintos.

Feliway

Feromônio sintético que reproduz o feromônio facial felino, usado para reduzir estresse em gatos. Pode ser borrifado na caixa de transporte antes do voo. É uma alternativa segura à sedação (que é proibida). Existe equivalente para cães chamado Adaptil.

FAVN (Fluorescent Antibody Virus Neutralisation)

Método laboratorial padrão para o exame de sorologia contra raiva. O sangue do Pet é enviado a um laboratório aprovado pela OIE, e o resultado indica se a titulação de anticorpos é suficiente (mínimo 0,5 UI/ml). Prazo do resultado: 2 a 4 semanas, dependendo do laboratório.

Formulário de importação

Documento exigido pelo país de destino com informações sobre o animal que será importado. Cada país tem o seu formato. Exemplos: CDC Dog Import Form (EUA), IPAFFS (Reino Unido), formulários específicos do Japão e da Austrália. Deve ser preenchido antes do embarque.

Guia de trânsito animal (GTA)

Documento de transporte de animais dentro do Brasil, emitido pelo órgão estadual de defesa agropecuária. Para viagens internacionais, o GTA não substitui o CVI, mas pode ser exigido para o deslocamento do Pet até o aeroporto de embarque em alguns estados.

Handling

Manuseio da caixa do Pet no aeroporto, do balcão até a aeronave e da aeronave até o ponto de coleta. "Handling especial" significa que a caixa é tratada como carga viva: posição vertical respeitada, sem empilhamento, prioridade na carga e descarga.

IATA (International Air Transport Association)

Associação internacional de transporte aéreo. Define, através do manual LAR, todas as regras de transporte de animais vivos por via aérea: especificações de caixa, ventilação, temperatura, alimentação, documentação e procedimentos de embarque.

Implante (microchip)

Procedimento de inserção do microchip sob a pele do Pet, geralmente na região entre as escápulas. Feito por veterinário com seringa específica, é rápido e indolor. O microchip deve ser implantado antes da vacina antirrábica para que a vacinação tenha validade internacional.

ISO 11784/11785

Padrões internacionais que definem o formato do microchip de identificação animal. O ISO 11784 especifica a estrutura do código (15 dígitos). O ISO 11785 especifica os protocolos de comunicação entre o chip e o leitor. Microchips fora desse padrão podem não ser lidos no destino.

Laboratório aprovado

Laboratório credenciado pela OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) para realizar exames de sorologia contra raiva. Nem todo laboratório veterinário serve. No Brasil, o LANAGRO (laboratório do MAPA) é um dos aprovados. A lista completa está no site da OIE.

LAR (Live Animal Regulations)

Manual da IATA com todas as regras de transporte aéreo de animais vivos. Atualizado anualmente. Define tipos de caixa por espécie, ventilação mínima, temperaturas permitidas, alimentação, hidratação e documentação. É a referência que as companhias aéreas seguem.

Liminar judicial

Decisão judicial urgente que pode autorizar o embarque de um Pet quando a companhia aérea ou o órgão sanitário recusa. Usada em casos de braquicefálicos impedidos de voar, negativa de cabine para Pets acima do peso ou outras situações em que o direito do tutor é restringido sem justificativa legal suficiente.

MAPA (Ministério da Agricultura)

Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil. É o órgão responsável pela emissão do CVI, pela fiscalização sanitária na exportação de animais e pelo credenciamento de veterinários e laboratórios. O agendamento no MAPA é etapa obrigatória do processo.

Microchip ISO

Implante subcutâneo com número único de 15 dígitos, padrão ISO 11784/11785, que identifica o Pet de forma permanente. Obrigatório em praticamente todos os países para viagem internacional. Deve ser implantado antes da primeira vacina antirrábica válida para o processo.

Modalidade de viagem

Forma como o Pet viaja: cabine (sob o assento do tutor), porão/bagagem viva (mesmo voo do tutor, compartimento inferior) ou cargo (terminal de cargas, pode ser voo diferente). A modalidade depende do porte do Pet, da raça, da companhia e da rota.

Overbooking de Pets

Situação em que o número de Pets reservados para um voo atinge o limite da aeronave. Cada avião tem um número máximo de animais permitidos a bordo (tanto em cabine quanto no porão). Reservar a vaga do Pet com antecedência é o único jeito de garantir o embarque.

Passaporte para animais (UE)

Documento oficial da União Europeia que registra identificação (microchip), vacinas e exames do Pet. Válido para trânsito entre países membros da UE. Emitido por veterinário autorizado no país da UE onde o Pet reside. Para sair do Brasil, o documento é o CVI. O passaporte europeu pode ser feito no destino.

Pet de grande porte

Pet cujo peso ou tamanho ultrapassa os limites da cabine e, em muitos casos, também do porão como bagagem viva. Viaja geralmente na modalidade cargo. Exige caixa IATA de tamanho correspondente e planejamento de rota que aceite o porte específico.

Porão pressurizado

Compartimento inferior da aeronave, pressurizado e climatizado com temperatura mantida entre 15°C e 25°C. É onde viajam os Pets na modalidade bagagem viva. Diferente do compartimento de carga não climatizado (que não é usado para animais em companhias regulares). Veja o guia sobre o porão.

Prato de água (caixa)

Recipiente fixo na porta da caixa de transporte, acessível de fora para reabastecimento sem abrir a caixa. Exigido pelas normas IATA para voos de qualquer duração. Deve estar presente mesmo que vazio no embarque (a equipe de solo pode abastecer).

Quarentena

Período de isolamento obrigatório do Pet ao chegar em determinados países. Austrália (10 dias mínimo), Japão (até 180 dias se documentação incompleta), Singapura (30 dias), entre outros. Países como EUA, Portugal e maioria da Europa não exigem quarentena se a documentação estiver completa.

Raça restrita

Raça que tem restrições de embarque em determinadas companhias aéreas ou países. Inclui braquicefálicos (restrição respiratória), raças consideradas perigosas em alguns destinos (pit bull no Reino Unido, por exemplo) e raças de porte muito grande. A restrição varia por companhia e por país.

Reserva de Pet

Reserva da vaga do animal no voo, feita separadamente da passagem do tutor. Cada aeronave tem limite de Pets (cabine e porão). A reserva deve ser feita por telefone ou no balcão da companhia, já que a maioria não permite reserva online. Fazer isso o quanto antes garante a vaga.

Sedação

Uso de medicamentos para acalmar ou adormecer o Pet durante o voo. Proibida pela maioria das companhias aéreas e contraindicada por veterinários especializados. A sedação deprime a respiração e reduz a capacidade do animal de se equilibrar, aumentando o risco em vez de diminuir. Veja o guia sobre sedação.

Serviço porta a porta

Modalidade de serviço em que a empresa de transporte cuida de todo o processo: busca o Pet na residência, faz o embarque, acompanha o voo e entrega no destino final. A Pet Viajante oferece essa modalidade para casos que exigem acompanhamento completo.

Service Dog (cão de serviço)

Cão treinado para auxiliar pessoa com deficiência: cão-guia, cão de alerta para surdos, cão de assistência para cadeirantes. Tem direito legal de viajar na cabine em diversas companhias sem taxa e sem limite de peso. Diferente de ESA (suporte emocional), que perdeu esse direito na maioria das companhias.

Sorologia (titer test)

Exame de sangue que mede a titulação de anticorpos contra raiva no Pet. Exigido por países como Japão, Austrália, Nova Zelândia e membros da União Europeia. Deve ser feito em laboratório aprovado pela OIE, com resultado mínimo de 0,5 UI/ml. O prazo entre coleta e resultado pode levar de 2 a 4 semanas.

Suporte emocional (ESA)

Categoria de animal destinado a dar conforto psicológico ao tutor. Desde 2021, a maioria das companhias aéreas americanas não reconhece mais ESA como categoria com direito a cabine gratuita. Para viagens internacionais, o Pet com função de suporte emocional segue as mesmas regras de qualquer Pet doméstico.

TRACES (Trade Control and Expert System)

Sistema eletrônico da União Europeia para rastreamento e controle de importação de animais. Todo Pet que entra na UE precisa ter o certificado sanitário registrado no TRACES antes da chegada. O veterinário oficial do país de origem (no Brasil, o MAPA) é quem faz o registro.

USDA (United States Department of Agriculture)

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. É o órgão que endossa documentos veterinários para importação e exportação de animais nos EUA. Para levar um Pet do Brasil aos EUA, o CVI brasileiro precisa atender também às exigências do USDA e do CDC.

Vacina antirrábica

Vacina contra raiva, obrigatória para viagem internacional de Pets em praticamente todos os destinos. Deve estar dentro da validade, ter sido aplicada após o implante do microchip e, em muitos países, ter pelo menos 21 dias de antecedência em relação ao embarque. Reforço anual obrigatório.

Validade de documentos

Cada documento do processo tem validade própria. O CVI costuma valer 10 dias para embarque. A sorologia tem validade que varia por destino (alguns aceitam resultado vitalício desde que a vacinação não falhe). Vacina antirrábica: validade de 1 a 3 anos conforme o fabricante. Perder a validade de qualquer documento pode adiar o embarque em semanas ou meses.

Ventilação (caixa de transporte)

Abertura para circulação de ar na caixa de transporte. As normas IATA exigem ventilação em pelo menos três lados da caixa. Ventilação insuficiente é motivo de recusa no balcão. Para braquicefálicos, recomenda-se ventilação reforçada além do mínimo exigido.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre CVI e passaporte para animais?

O CVI é emitido pelo MAPA no Brasil e é o documento obrigatório para sair do país com um Pet. O passaporte para animais é um documento da União Europeia, usado para trânsito entre países membros. Para sair do Brasil, você precisa do CVI. O passaporte europeu pode ser emitido no destino.

Todo Pet precisa de sorologia para viajar?

Não. A sorologia é exigida por países específicos como Japão, Austrália e membros da União Europeia. Para EUA, Canadá e América do Sul, geralmente não é necessária. Cada destino tem exigências próprias, e o levantamento faz parte do planejamento que a Pet Viajante faz caso a caso.

O que é uma caixa IATA e onde comprar?

É a caixa de transporte que segue as especificações da IATA: rígida, ventilada em três lados, com prato de água fixo e tamanho que permita ao Pet ficar em pé, girar e deitar. Vendida em pet shops e lojas especializadas. A Pet Viajante orienta o modelo e tamanho exatos para cada caso.

O que significa endorsement de documentos?

É a validação oficial dos documentos veterinários por órgão governamental do país de origem ou destino. No Brasil, o MAPA endossa ao emitir o CVI. Nos EUA, é o USDA. Na UE, envolve o registro no TRACES. Sem endorsement, documentos de veterinário particular não têm validade para entrada no destino.

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